domingo, 26 de julho de 2009

Aos 18

A única certeza que eu tinha naquele momento era que a partir dali, era eu e eu. Estava mesmo sozinha. No meu canto, meu apartamento e minha responsabilidade.
E eu não poderia voltar atrás. Como filha única do meu pai e devo admitir que um tanto mimada, fiz 18 anos, ganhei um apê muito legal do meu pai, tudo foi mobiliado do jeitinho que eu queria. Ou seja, não tinha mesmo escolha. Estaria pedindo a minha morte se eu simplesmente dissesse aos meus pais que mudei de idéia. E mesmo assim não diria. Não mudei de idéia.
No dia em que ganhei oficialmente o meu próprio teto, juro que senti um calafrio quando meu pai entregou as chaves na minha mão. Foi mágico, é como se ele estivesse entregando minha liberdade nas minhas mãos. E ali começara a minha vida, sem ninguém ou praticamente ninguém para interferir em minhas escolhas e atitudes.
A mudança terminou numa tarde fria e nublada. Meus pais ficaram um pouco comigo, me ajudaram a dar uma ajeitadinha nos móveis, pendurar meus quadros e só. Depois disso, decidiram ir embora. Após me despedir deles com um longo abraço em cada um dos dois, me tranquei no meu canto. Encostei a cabeça na porta e tentei encarar que seria assim meus dias. Eu iria fechar a porta e se não eu, ninguém mais iria abri-la. Depois de fechar a porta, não tinha mais ninguém da porta para dentro para conversar comigo, me ouvir, me entender, me dar conselhos... Eu não precisaria mais esconder nada. Aliás, de quem esconderia algo? De mim própria? E ali estava eu e minhas verdades, nuas e cruas. Agora sim podia fazer o que desse na teia. Me encontrei com minhas responsabilidades em pensamentos e vi que daria conta querendo ou não, era uma obrigação.
A hora mais difícil, foi quando fui me deitar para dormir. Não tinha ninguém para me dar ou para mim desejar boa noite, vi a solidão ao meu lado. Então antes de dormir, mas já de olhos fechados, pensei na vida, em mim e no meu destino. Ficava imaginando como seria o início da faculdade, quem e como seriam meus novos amigos, se eu iria dar conta de estudar e me dar bem... Então me veio a mente, homens... Sempre fui muito cabeça no lugar quando não envolvia sentimentos, isso não seria problema. Seria bom conhecer alguém legal, que pudesse me visitar sempre, passar um tempo legal comigo, assim não me sentiria tão só. Eu estava preparada para morar sozinha mesmo sendo tão nova, uma adolescente ainda, foi o que sempre quis. A cada dia antes da mudança, estava vendo minhas transformações. Fui adquirindo mais responsabilidade, estava sendo mais pé no chão e desconfiada porque esse mundo é muito perigoso. E eu estava sozinha, sozinha pra valer... Em meio a tantos pensamentos e análises, adormeci.
Dia lindo, manhã maravilhosa e eu sozinha. O dia e a manhã acabaram não tendo valor, não para mim. Enrolei durante um tempo na cama e quando senti fome, me levantei em direção a cozinha.
Não tinha minha mãe para preparar meu café da manhã, ali eu vi que tudo o que minha mãe fazia por mim, era eu que teria de fazer. Respirei fundo e comecei a preparar meu café, aquele era só o começo, minha primeira de muitas manhãs que passaria ali, sozinha. Mas no meu lugar, com a minha liberdade, como eu sempre sonhei e agora teria que me adaptar.

10 comentários:

disse...

Oiii moça
nossa me senti nesse texto
achei q fosse vc, mas vc não tem 18 ainda
rsrsrs
eu digo tanto q quero morar sozinha mas me sentiria do mesmo jeito... SOZINHA TOTALMENTE..
mas enfim neh, qual adolescente praticamente adulto nãoq uer uma 100% liberdade... seria ótimo!
bjs

Patrícia disse...

Eu não moro com meus pais, moro com a família da minha irmã. Meu pai estava de planos de me dar um ap, eu já tinha até visto alguns, mas esse plano foi adiado. Eu me pegava muitas vezes me imaginando como ia ser... se eu ia saber lidar com o fato de ficar sozinha, não só com o de ter que cumprir com as obrigações domésticas. É a vida né?

Yasmin disse...

Morar sozinha é mesmo uma responsabilidade e tanto, tem seus lados bons mas chega um ponto que vemos que onde que estejamos a liberdade depende de nós. Belo texto.
:)

Marina Melow disse...

Chega da mesmice, temos que mudar um pouco as coisas! Hahaha!

beijos!

Mih disse...

Eu não aguentaria essa solidão. Não me imagino vivendo sozinha, seria estranho :]
Bjooo.

Stephanie disse...

Deve ser bem ruim morar sozinha mesmo, mas que às vezes dá vontade, dá!

Beijos

Sofia disse...

oiie, tudo bom ?
passei pra falar uma coisinha: o meu texto do Dia do Amigo ficou com a segunda maior nota do PostIt! Comenta lá.
Em breve terá Selos para Todos lá no blog.
:**

Marina disse...

Gostei demais desse texto, bem real . continua me visitando em :*

Karen disse...

Era tudo que eu queria, sinceramente. Quando fui lendo sua história.. fui pensando no quanto eu desejo e peço isso todos os dias. Quem dera se meu pai tivesse me dado um apartamento mobiliado, ainda mais do jeitinho que eu quero.. de 18 anos. QUEM ME DERA! Eu pouco ia me importar com a solidão. Aqui em casa, a única hora boa, é a hora que eu fico sozinha em casa, me sinto bem. E poder encher a casa de amigos, fazer bagunça.. trazer o namorado.. seria tudo, um sonho. Eu nem ia ter tempo de achar defeito. Mas esse é só o meu ponto de vista. E no fim, tu se acostuma. A vida de gente grande é isso aí..

Thaís disse...

Lindo de mais. É uma pena que a gente só começa a dar mesmo o valor merecido quando a gente "perde", né?